Por Mariana Silva | Hephiro Pets | Fevereiro 2026
Hipertireoidismo em gatos foi o diagnóstico que a Dra. Ana deu para o Toby — não o filhote parvovirose da Renata, esse é outro Toby — mas o gato persa de 13 anos da minha vizinha Conceição.
A Conceição tinha notado que o Toby estava comendo mais do que nunca. Por isso, achava ótimo — “ele finalmente está com apetite”, me disse num sábado de outubro de 2024. Contudo, ao mesmo tempo, estava perdendo peso visivelmente. Além disso, ficava agitado à noite, vocalizado mais do que o normal e tinha o pelo menos cuidado do que antes.
Levou três semanas para a Conceição aceitar que apetite aumentado com perda de peso não era coisa boa. Por outro lado, quando finalmente foi à consulta, a Dra. Ana palpou o pescoço do Toby, pediu o exame de T4 e confirmou o diagnóstico na mesma semana.
“Hipertireoidismo em gato idoso é tão comum quanto você imagina que seja raro,” ela me disse depois. “Afeta quase um em cada dez gatos acima de dez anos. O problema é que os tutores confundem os sintomas com envelhecimento normal.”
Essa frase ficou na minha cabeça. Por isso, escrevi este guia.
O Que Você Vai Encontrar Neste Guia
- O que é o hipertireoidismo em gatos e por que acontece
- Os sinais clínicos que a maioria confunde com envelhecimento
- Como é feito o diagnóstico
- As opções de tratamento disponíveis no Brasil
- Prognóstico e qualidade de vida após o diagnóstico
- Hipertireoidismo em gatos: o que monitorar no dia a dia
1. Hipertireoidismo em Gatos: O Que é e Por Que Acontece
A Tireoide Fora de Controle
Hipertireoidismo em gatos é a condição endócrina mais comum em felinos domésticos acima de 10 anos. Por isso, qualquer tutor de gato idoso precisa conhecer a doença antes de precisar lidar com ela.
A tireoide é uma glândula localizada no pescoço responsável por produzir os hormônios T3 e T4, que regulam o metabolismo de praticamente todos os tecidos do organismo. Além disso, quando um ou ambos os lobos da glândula desenvolvem nódulos benignos chamados adenomas, a produção hormonal aumenta progressivamente sem controle.
Por outro lado, em mais de 98% dos casos, os nódulos são benignos. Contudo, o excesso de hormônio tireoidiano tem efeitos sistêmicos sérios que, sem tratamento, comprometem o coração, os rins e a qualidade de vida do animal de forma progressiva.
Por Que Acontece em Gatos Idosos
A causa exata do hipertireoidismo em gatos ainda não está completamente esclarecida pela ciência veterinária. Além disso, pesquisas apontam para associação com fatores ambientais como compostos retardantes de chama em móveis e carpetes, bisfenol A em latas de ração úmida e deficiência crônica de iodo em certas dietas.
Por isso, a incidência cresceu significativamente nas últimas décadas junto com a popularização de gatos domésticos vivendo exclusivamente em ambientes fechados. Contudo, predisposição genética também parece ter papel — algumas linhagens têm incidência maior. Por outro lado, raças siamesa e himalaiana parecem ter incidência menor do que a média felina.

“A diferença parece sutil nas fotos. Na vida real, acontece tão gradualmente que a maioria dos tutores só percebe quando já faz meses.” –>
2. Hipertireoidismo em Gatos: Os Sinais que Confundem
Por Que é Tão Frequentemente Ignorado
O hipertireoidismo em gatos tem sinais clínicos que individualmente parecem benignos ou relacionados ao envelhecimento normal. Por isso, o diagnóstico costuma ser tardio — meses ou até anos após o início real da condição.
A Conceição levou três semanas para aceitar que algo estava errado com o Toby. Além disso, cada sintoma isolado tinha uma explicação aparentemente razoável. Por outro lado, a combinação de todos os sinais ao mesmo tempo é o que levanta a suspeita diagnóstica.
Os Sinais Mais Comuns
Perda de peso com apetite aumentado é o sinal mais característico do hipertireoidismo em gatos e o que mais confunde tutores. O metabolismo acelerado pelo excesso de hormônio queima calorias mais rápido do que o animal consegue repor — por isso o gato come mais e emagrece ao mesmo tempo.
Agitação e vocalização noturna aparecem porque o excesso de hormônio tireoidiano tem efeito estimulante no sistema nervoso. Além disso, gatos que antes dormiam tranquilos começam a caminhar pela casa à noite, vocalizar sem razão aparente e demonstrar inquietação que tutores frequentemente atribuem a dor ou demência senil.
Pelagem com qualidade reduzida é consequência da mobilização intensa de energia — o organismo prioriza funções vitais e reduz o investimento na manutenção da pelagem. Contudo, tutores geralmente atribuem isso ao envelhecimento normal.
Polidipsia e poliúria — beber mais água e urinar mais — aparecem por efeito do hipertireoidismo nos rins e na regulação de fluidos. Por outro lado, esses sinais são compartilhados com outras condições comuns em gatos idosos como diabetes e doença renal crônica.
Taquicardia e sopro cardíaco são consequências do efeito do excesso de T4 no músculo cardíaco — o coração trabalha mais rápido e com mais força do que deveria. Além disso, em casos avançados, pode desenvolver cardiomiopatia secundária que complica o tratamento.
3. Hipertireoidismo em Gatos: Diagnóstico
Como o Veterinário Confirma
O diagnóstico do hipertireoidismo em gatos começa com a suspeita clínica — combinação de sinais, idade do animal e palpação da tireoide pelo veterinário. Por isso, a consulta com exame físico completo é insubstituível.
A palpação cervical detecta aumento dos lobos da tireoide em aproximadamente 80% dos casos. Além disso, frequência cardíaca elevada, sopro e pressão arterial alta são achados que reforçam a suspeita durante o exame físico.
Contudo, o diagnóstico definitivo exige exame laboratorial. Por isso, a dosagem de T4 total no sangue é o exame padrão — valores acima de 4 a 5 µg/dL em gato sintomático confirmam o hipertireoidismo na maioria dos casos.
Quando o T4 Normal Não Descarta
Existe uma situação específica onde o T4 pode estar normal mesmo com hipertireoidismo presente. Além disso, gatos com doença concomitante — como doença renal ou processo inflamatório — podem ter os valores de T4 mascarados pela supressão sistêmica.
Por isso, quando a suspeita clínica é forte mas o T4 está normal ou borderline, a Dra. Ana solicita T4 livre ou cintilografia tireoidiana para confirmar. Por outro lado, esses exames têm custo maior e disponibilidade limitada a centros veterinários especializados.

“Método burrito, pill gun, paciência. Medicação oral diária em gato que não colabora é uma habilidade que se aprende — e o Toby ensinou a Conceição rápido.” –>
4. Hipertireoidismo em Gatos: Opções de Tratamento
As Quatro Abordagens Disponíveis
O hipertireoidismo em gatos tem quatro opções de tratamento com eficácias e contextos de aplicação diferentes. Por isso, a escolha depende do estado de saúde geral do animal, da presença de doenças concomitantes e da realidade prática do tutor.
Medicação oral com metimazol: é o tratamento mais acessível e mais usado no Brasil. Além disso, o metimazol inibe a síntese de hormônio tireoidiano de forma eficiente — a maioria dos gatos normaliza o T4 em 2 a 4 semanas. Contudo, precisa ser administrado uma ou duas vezes ao dia para o resto da vida do animal, o que exige comprometimento real do tutor.
Por outro lado, efeitos adversos como vômito, letargia e, em casos mais raros, supressão da medula óssea podem ocorrer — monitoramento periódico com hemograma é necessário durante o tratamento.
Gel transdérmico de metimazol: aplicado na face interna da orelha, eliminando a necessidade de administração oral. Além disso, é a alternativa para gatos que resistem muito à medicação oral. Contudo, a absorção é menos consistente do que a via oral e alguns animais não respondem adequadamente.
Iodo radioativo (I-131): considerado o tratamento definitivo com as maiores taxas de cura — superior a 95% em única aplicação. Por isso, quando disponível, é frequentemente a opção mais indicada para gatos sem contraindicações. Por outro lado, exige internação em instalação específica por período de isolamento radioativo — disponível em poucos centros veterinários no Brasil, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, com custo entre R$ 3.000 e R$ 6.000.
Cirurgia (tireoidectomia): remoção cirúrgica do tecido tireoidiano afetado. Além disso, tem boa taxa de sucesso mas carrega riscos anestésicos maiores em gatos idosos e risco de hipoparatireoidismo pós-operatório. Por isso, geralmente é reservada para casos onde outras opções não são viáveis.
A Relação com a Doença Renal
Essa é a complicação mais delicada do hipertireoidismo em gatos e que a Dra. Ana me explicou com cuidado: o excesso de hormônio tireoidiano mascara doença renal crônica preexistente ao aumentar artificialmente o fluxo renal.
Por isso, quando o hipertireoidismo é tratado e o T4 normaliza, a função renal aparente pode piorar — não porque o tratamento causou dano renal, mas porque a doença renal que já existia antes ficou evidente. Contudo, isso não significa que o hipertireoidismo não deve ser tratado — significa que a avaliação renal precisa fazer parte do monitoramento pós-tratamento.
5. Hipertireoidismo em Gatos: Prognóstico e Monitoramento
Qualidade de Vida Após o Diagnóstico
O prognóstico do hipertireoidismo em gatos tratado adequadamente é bom. Por isso, a maioria dos gatos retorna à qualidade de vida normal em poucas semanas após o início do tratamento.
O peso se recupera gradualmente ao longo de 1 a 3 meses. Além disso, a agitação noturna e a vocalização excessiva cessam rapidamente com a normalização hormonal — a Conceição disse que o Toby voltou a dormir tranquilo na segunda semana de metimazol.
Por outro lado, doença cardíaca secundária estabelecida pode não se resolver completamente com o tratamento do hipertireoidismo — alguns gatos precisam de manejo cardíaco concomitante.
O Que Monitorar no Dia a Dia
Gato em tratamento para hipertireoidismo em gatos precisa de acompanhamento veterinário regular. Por isso, consultas a cada 3 meses no primeiro ano e semestrais depois são o mínimo recomendado.
Além disso, os exames periódicos incluem T4, hemograma, bioquímica sérica com função renal e, quando disponível, pressão arterial. Por outro lado, o tutor deve monitorar em casa: peso corporal semanal em balança doméstica, qualidade da pelagem, apetite, comportamento e frequência de vômitos.
Contudo, qualquer deterioração súbita do quadro — perda de peso rápida, prostração, recusa alimentar — exige consulta imediata sem esperar o retorno programado. Por isso, ter o contato da clínica veterinária sempre acessível não é paranoia de tutor exagerado — é prudência básica com animal em tratamento de condição crônica.
Para entender como o hipertireoidismo se insere na rotina completa de saúde de um gato idoso, leia o Guia Completo de Cuidados com Pets. Além disso, o guia do Gato Persa tem uma seção específica sobre cuidados de saúde em raças braquicefálicas idosas — o contexto do Toby.

“O Toby hoje. Pelo cuidado, peso estável, dormindo a noite inteira. Três meses de metimazol e acompanhamento regular fizeram essa diferença.” –>
O Toby Hoje
Quatro meses de metimazol. Peso estabilizado, pelagem recuperando a qualidade, vocalização noturna zerada.
A Conceição aprendeu a dar o comprimido com pill gun no método burrito — toalha enrolando o gato, uma pessoa segura, outra administra. Por isso, o que parecia impossível no primeiro dia virou rotina de dois minutos pela manhã.
O T4 do último exame estava normal. Além disso, a função renal está sendo monitorada — estável por enquanto, o que é o melhor resultado possível nesse contexto.
O hipertireoidismo em gatos não tem cura com medicação oral — é controle de por vida. Por outro lado, controle eficiente significa gato com qualidade de vida real por mais anos.
A Conceição diz que quase deixou passar por achar que era só velhice. Por isso, sempre que apareço no condomínio, ela me lembra: “Se não fosse você insistir, eu não tinha ido ao veterinário.”
Não fui eu. Foi o apetite do Toby comendo igual a filhote com 13 anos que avisou. A gente só precisava saber ouvir o sinal.
⚠️ Aviso importante: Não sou veterinária. Este guia é baseado em pesquisa e no acompanhamento do Toby com orientação da Dra. Ana, veterinária especializada em felinos aqui em Goiânia. Não substitui avaliação profissional. Para diagnóstico, tratamento e monitoramento do hipertireoidismo, consulte sempre um veterinário.
Sobre a Autora
Mariana Silva mora em Goiânia-GO e é tutora do Spyke (dragão-barbudo), Luna e Sol (geckos-leopardo) e Jade (jabuti piranga resgatada). Criou o Hephiro Pets pra falar sobre criação responsável de pets com linguagem real, sem textão de manual e sem julgamento.
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Publicado em fevereiro de 2026 | Hephiro Pets