Pets Exóticos: Guia Completo Para Criar com Segurança

Por Mariana Silva | Hephiro Pets | Fevereiro de 2026

Em 2020, meu namorado me deu um gecko-leopardo de aniversário.

Bonito. Pequeno. Aqueles olhinhos brilhantes, a pele manchada, aquela cabeça que inclinava para me observar. Fiquei completamente apaixonada em três segundos.

O problema? Eu não sabia nada sobre pets exóticos. Absolutamente nada. Comprei o gecko numa sexta, montei um terrário improvisado no sábado com dicas do YouTube, e na segunda-feira já estava em pânico num grupo do Facebook perguntando se geckos podiam morrer de frio.

(Podem. Não deixa esfriar abaixo de 22 °C.)

Cinco anos, três espécies e alguns sustos de madrugada depois — o Spyke (dragão-barbudo de 4 anos), Luna e Sol (geckos-leopardo) e a Jade (jabuti piranga resgatada em 2022) — posso dizer com toda honestidade: criar pets exóticos é incrível, recompensador e completamente diferente de tudo que eu esperava.

Mas também é muito mais trabalhoso, mais caro e mais específico do que a maioria das pessoas imagina quando vê a foto bonitinha do gecko no Instagram.

Esse guia é o que eu gostaria de ter lido em 2020. Com os erros que cometi, os custos que ninguém me avisou, e o que realmente funciona no dia a dia.


1. O Que São Pets Exóticos (E Por Que São Diferentes de Tudo)

Sabe quando você vai na casa de alguém e, em vez de cachorro latindo, você encontra uma iguana tomando sol no terrário? Ou um furão correndo de um lado para o outro? Esse é o universo dos pets exóticos cuidados.

Na prática, “exótico” é qualquer animal doméstico que não seja cão, gato ou peixe convencional. Répteis, quelônios, aves ornamentais, pequenos mamíferos não convencionais — todos caem nessa categoria.

Eu costumo explicar assim: é como a diferença entre cuidar de uma samambaia e de uma orquídea rara. Ambas são plantas. Mas as necessidades são completamente diferentes — e ignorar isso mata a orquídea em duas semanas.

Com pets exóticos, ignorar as necessidades específicas mata o animal. Não é exagero.


2. Pets Exóticos Cuidados: As Espécies Mais Comuns no Brasil

Antes de falar de cuidado geral, deixa eu apresentar o que mais aparece aqui no Hephiro — e no coração dos tutores brasileiros.

Répteis — A Minha Área

Dragão-barbudo: O Spyke é o meu primeiro “filho réptil” e ainda me impressiona toda vez. Interativo, reconhece quem cuida dele, vem até a frente do terrário quando você chega. Melhor réptil para quem quer conexão de verdade.

Gecko-leopardo: Luna e Sol são a prova de que tamanho não é documento. Pequenos, dóceis, com aquele sorriso permanente. Os mais indicados para quem está começando com pets exóticos.

Camaleão: Lindo de tirar o fôlego. Mas trabalhoso demais para ser o primeiro. Deixa para quando já tiver experiência com outra espécie — a curva de aprendizado é íngreme.

Iguana: Vi tutores comprando iguana “bebê” fofa sem saber que cresceria até 1,5 metro. Se comprar, compre pensando no adulto. O adulto é quem vai morar com você.

Depois dos quatro, tem a Jade na categoria quelônios. Jabuti piranga, resgatada em 2022. Vai me sobreviver — expectativa de vida de 50 a 80 anos. É compromisso de geração, literalmente.


Pequenos Mamíferos

Chinchila é o mais delicado do grupo. Minha amiga Patrícia tem duas — são hilárias, adoráveis e absolutamente intolerantes a calor. Acima de 26°C, entram em colapso térmico. Em Goiânia, isso significa ar-condicionado o ano todo. Entra no orçamento.

Furão é energia pura. Tipo gato hiperativo com excesso de curiosidade. Precisa de interação e enriquecimento constante — animal entediado destrói a casa com eficiência profissional.

Porquinho-da-índia precisa de companhia obrigatória. Nunca adote um só. Dois mínimo — solitário adoece por estresse social. É biologia, não preferência.


Aves Ornamentais

Calopsita, agapornis, periquito australiano. Alegres, coloridas, algumas aprendem a falar. Mas prepare para o barulho matinal que nenhum vídeo do YouTube captura com fidelidade.


3. Por Que Eu Me Apaixonei Por Pets Exóticos (A Versão Honesta)

Quando as pessoas perguntam “por que réptil se você pode ter cachorro?” — eu respiro fundo.

Porque eu também tenho resposta.

O que ninguém fala antes de adotar:

Silêncio real. O Spyke não faz barulho. Zero. Exceto quando mastiga grilos, mas esse é problema meu. Para quem mora em apartamento com paredes finas e vizinhos sensíveis, isso é um alívio enorme.

Zero problema de alergia. Meu namorado é alérgico a pelo de gato. Répteis resolveram esse impasse que durou dois anos de relacionamento.

Fascínio genuíno. Eu passo horas observando o comportamento deles. O Spyke caçando grilos. A Jade escavando o substrato antes de dormir. É como ter um documentário da National Geographic ao vivo — sem pagar o streaming.

Mas a realidade tem outros lados:

Pets exóticos não são pets de contato constante. Eles não vêm correndo quando você chega. Não pedem colo. Não demonstram afeto do jeito que cachorro demonstra — e insistir nisso causa estresse real no animal.

Alguns vão viver décadas. A Jade, como mencionei, vai sobreviver a mim estatisticamente. Antes de adotar um jabuti, pense em quem vai cuidar dele daqui a vinte anos.

Veterinário especializado é raro e caro. Falo sobre isso com detalhes mais adiante. Prepara o coração.


4. As Perguntas Que Eu Precisava Ter Respondido Antes de 2020

Minha amiga Renata, veterinária, me segurou pelo braço quando eu estava prestes a comprar o gecko completamente despreparada.

“Calma,” ela disse. “Vamos conversar primeiro.”

Ela estava certa. Eu não estava pronta para nenhuma das perguntas que ela fez — e hoje faço essas mesmas perguntas para qualquer pessoa que me procura querendo um pet exótico.

Você tem tempo real, todo dia?

Não estou falando de cinco minutos para jogar ração. Estou falando de tempo consistente para preparar alimento específico, monitorar temperatura e umidade, fazer limpeza, observar comportamento.

Minha rotina real com o Spyke: 15 minutos de manhã para ligar a UVB e oferecer vegetais. 10 minutos à tarde para limpeza parcial. 20 minutos à noite para preparar e oferecer insetos. Total: 45 minutos por dia, todo dia, há quatro anos.

Parece pouco. Multiplica por quinze anos — expectativa de vida do dragão-barbudo. Aí você entende o que significa comprometimento real.

Você calculou o custo total?

Quando montei o terrário do Spyke em 2020, calculei R$ 500 e fui ao mercado confiante.

Gastei R$ 1.625 só na montagem inicial.

ItemValor real
Terrário 120x60x60 cmR$ 450
Lâmpada UVB 10.0 + suporteR$ 180
Lâmpada de aquecimento + dimmerR$ 100
Termostato digitalR$ 180
2 termômetros digitaisR$ 60
HigrômetroR$ 35
Substrato especialR$ 80
Decoração (troncos, pedras, plantas)R$ 150
Potes de água e comidaR$ 40
O dragão-barbudo em siR$ 350
TOTALR$ 1.625

E isso foi só o começo. Mensalmente, tenho em média R$ 211 de custo recorrente só com o Spyke: grilos, vegetais frescos, suplementos, energia elétrica, fundo para troca de lâmpada UVB e a consulta veterinária anual dividida por mês.

Ao longo de quinze anos? Perto de R$ 40 mil. Sem emergências.

Não estou falando isso para desencorajar. Estou falando para que você entre com os olhos abertos — do jeito que eu não entrei.

Você já tem veterinário de exóticos?

Essa foi minha maior frustração nos primeiros meses.

Aqui em Goiânia, liguei para quinze clínicas veterinárias antes de encontrar uma que atendesse répteis. A resposta mais comum: “Aqui só atendemos cães e gatos.”

Quinze clínicas. Levei semanas.

A orientação que dou hoje para qualquer pessoa que está considerando pets exóticos cuidados: pesquise o veterinário antes de pesquisar o animal. Ligue, confirme que atendem a espécie, marque uma consulta inicial mesmo antes de ter o pet. Se não achar veterinário na sua cidade, repense a decisão ou considere uma espécie que tenha suporte médico disponível.

Quando precisar — e vai precisar — não vai ter tempo para procurar.


5. Habitat: Onde Eu Mais Errei e o Que Aprendi

Habitat é o fator mais importante para a saúde do pet exótico. E foi exatamente onde cometi os maiores erros.

O Erro do Terrário Pequeno

Comprei terrário de 80×40 cm para o Spyke filhote achando que “crescia com ele depois”. Em seis meses, ele estava apertado. Tive que comprar terrário novo — pagando tudo de novo.

Regra simples que aprendi da forma mais cara: compre sempre o tamanho do animal adulto, não do filhote. O filhote vira adulto mais rápido do que você imagina.

EspécieTamanho mínimoMinha recomendação real
Gecko-leopardo60x40x40 cm80x40x40 cm (Luna e Sol têm e usam tudo)
Dragão-barbudo120x60x60 cm150x60x60 cm se puder
Camaleão60x60x120 cm (vertical)Quanto mais alto, melhor
Iguana adulta2×1 mViveiro externo, de preferência
JabutiViveiro 2×1 mAcesso a área externa é ideal

O Erro do Substrato Errado

No começo usei areia de praia porque “ficou bonito”. Resultado: o Spyke teve impactação intestinal — comeu areia junto com a comida e bloqueou o sistema digestivo. Três dias sem defecar, barriga inchada, desespero total.

Banhos mornos diários, massagem na barriga, óleo mineral sob orientação do vet. Custou R$ 180 e uma semana de susto.

Hoje uso tapete de réptil. Lavável, seguro, sem risco de ingestão. Para os geckos, papel-toalha — barato, higiênico, fácil de trocar. Para a Jade, terra adubada sem químicos misturada com folhas secas. Ela escava, se sente em casa.

Regra geral que não falha: se pode ser ingerido e causar bloqueio, não usa.


6. A Tríade Sagrada: Temperatura, UVB e Umidade

Esse bloco é o mais importante do guia. Lê com atenção — foi aqui que quase perdi o Spyke.

A Noite que o Termômetro Marcou 38°C em Tudo

Nos primeiros dias com o Spyke, eu não entendia essa história de “zona quente e zona fria”. Pensei que “deixar quentinho” o terrário inteiro era suficiente.

Acordei às 3h da manhã com aquela sensação de que algo estava errado. Fui checar. O Spyke estava ofegante, agitado, tentando escalar as paredes de vidro freneticamente.

Peguei o termômetro: 38°C em todo o terrário. Sem área de escape. Sem onde se refrescar.

O bicho estava sendo literalmente cozinhado vivo e não tinha para onde ir.

Abri o terrário em pânico, desliguei tudo, coloquei toalhas úmidas nas laterais para baixar gradualmente. Liguei para o vet de emergência às 3h30 da manhã. Aprendi uma lição que nunca mais esqueci.

Por Que Répteis Precisam de Gradiente Térmico

Répteis são ectotérmicos — não produzem calor próprio. Regulam a temperatura corporal movendo entre zonas mais quentes e mais frias o dia todo. É como você escolhendo entre o sol e a sombra — mas para eles é questão de sobrevivência.

O setup correto para dragão-barbudo adulto:

Lado quente (ponto de aquecimento): 32°C a 38°C. Pedra ou tronco plano para deitar. Lâmpada spot. É o “sol” deles.

Lado frio (área de descanso): 22°C a 26°C. Esconderijo tipo caverna. Sem aquecimento direto. É a “sombr””.

Entre os dois lados, temperatura caindo gradualmente. O animal escolhe onde ficar conforme a necessidade do momento.

Hoje tenho dois termômetros digitais — um em cada zona — e verifico todo dia. Todo dia. Sem exceção.

UVB: A Lâmpada Que Não é Opcional

Quando comprei o Spyke, o vendedor disse que“”UVB era opciona””. Mentira descarada que custou caro.

Após três meses sem UVB adequada, o Spyke começou a ter tremores leves nas patas traseiras. Levei ao veterinário: início de doença óssea metabólica (MBD). Ossos ficando fracos porque sem UVB, répteis não metabolizam cálcio — mesmo com suplemento em pó.

Tratamento: R$ 650. Três sessões de injeção de cálcio, suplementação intensiva por dois meses, reposicionamento da lâmpada. O Spyke se recuperou 90% — mas ainda tem uma leve curvatura na coluna como sequela.

Isso era 100% prevenível com a lâmpada certa no lugar certo.

Hoje uso lâmpada UVB 10.0, posicionada a 20-30 cm do ponto mais alto que o Spyke alcança, ligada de 10 a 12 horas por dia em timer automático, trocada a cada seis meses — mesmo que ainda acenda, porque perde eficiência invisível. Custo mensal de manutenção: R$ 30.

Nunca através de vidro ou acrílico. Bloqueia 100% dos raios UVB. Sem vidro entre a lâmpada e o animal.

Umidade: O Vilão Silencioso

Cada espécie tem faixa ideal. Erro aqui causa problemas respiratórios ou troca de pele incompleta.

EspécieUmidade idealComo monitoro
Dragão-barbudo (Spyke)30-40%Higrômetro digital, verificação diária
Gecko-leopardo (Luna e Sol)30-40% + hide úmidaHigrômetro + hide box com substrato úmido
Jabuti (Jade)60-70%Higrômetro + verifico substrato manualmente

O Spyke teve infecção respiratória leve no primeiro ano porque eu mantinha o terrário fechado demais. Acúmulo de umidade. R$ 280 de antibiótico veterinário. Aprendi sobre ventilação na pior hora possível.


7. Alimentação: Da Teoria ao Caos dos Grilos Fugitivos

Vou te contar uma história que ainda me dá vergonha.

Na primeira vez que comprei grilos vivos para o Spyke, trouxe um pote plástico com 50 deles. Cheguei em casa, deixei na cozinha“”só um minutinh”” enquanto preparava o terrário.

Minha mãe estava visitando. Viu o pote, achou que era comida, abriu para ver o que era.

50 grilos. Soltos. Pela cozinha.

Saltando em todas as direções. No chão, nas paredes, dentro do armário, atrás da geladeira. Eu e minha mãe gritando. O Spyke no terrário, provavelmente achando que estávamos tendo algum tipo de crise.

Levamos três horas para capturar a maioria. Os últimos sobreviventes apareceram uma semana depois dentro do filtro da máquina de lavar.

Moral: nunca mais deixo grilos na cozinha. Eles ficam numa tupperware lacrada na área de serviço.


Alimentação do Dragão-Barbudo (Spyke)

Adulto come 80% vegetais, 20% insetos. Filhote come mais insetos — crescimento acelerado exige proteína.

Salada diária que preparo toda manhã:

Base: couve (favorita dele), mostarda ou escarola. Escolho dois ou três folhosos.

Complementos: abóbora cozida picada, cenoura ralada, pimentão vermelho.

Frutas como petisco (2-3x por semana): figo, mamão, morango.

O que nunca entro em casa: alface americana (zero nutrição), frutas cítricas (irritam o estômago), abacate (tóxico para répteis).

Para os insetos, uso grilos como base (R$ 15 por semana) e baratas dubia como petisco nutricional (R$ 25 por 50). Tenébrios com moderação — são nutritivos mas gordurosos.

O Gut-Loading que Ninguém Me Ensinou

Por meses, alimentei o Spyke com grilos“”vazio”” nutricionalmente. Grilos sem alimentação são como uma cápsula de vitamina vazia.

Gut-loading é alimentar os insetos 24-48 horas antes de oferecê-los ao réptil. Cenoura ralada, couve picada, batata-doce, ração de peixe como proteína. Os grilos viram uma“”cápsula de vitaminas viv””. O diferencial nutricional é enorme.

Suplementação: O Protocolo que Salvou o Spyke

Meu erro quase fatal foi usar cálcio com vitamina D3 todos os dias. Excesso de D3 é tóxico.

Protocolo correto (aprendi com veterinário após o episódio da MBD):

5x por semana: cálcio SEM vitamina D3. Uma pitada nos grilos antes de oferecer.

2x por semana: cálcio COM D3 + multivitamínico. Mesma técnica do potinho.

Custo: R$ 15 por mês em suplementos. Barato para evitar R$ 650 de tratamento.


8. Limpeza e Higiene: A Parte Que Ninguém Romanticiza

Vou ser honesta: limpar cocô de réptil não é o ponto alto do meu dia.

Mas no segundo mês com o Spyke, fiquei relaxada com a rotina de limpeza. Fezes ficavam mais de um dia. Limpeza completa só a cada três semanas.

Resultado: ácaros. Pontinhos vermelhos móveis no Spyke e no substrato. Tratamento completo: R$ 400, quarentena de quatro semanas, desinfecção de tudo.

Desde então, sigo uma rotina sem desvio:

Diariamente (5 minutos): removo fezes com pazinha, retiro restos de comida, limpo o pote de água, vistoria visual geral.

Semanalmente (30-40 minutos): retiro todos os itens móveis, lavo com detergente neutro e água quente, enxáguo muito bem (resíduo de produto mata réptil), deixo secar.

Mensalmente (2-3 horas): limpeza completa com vinagre branco diluído 1:10 ou desinfetante F10. Substrato 100% trocado. Decoração esterilizada no forno a 180°C por uma hora.

O que nunca uso: amônia, Lysoform, água sanitária pura, perfumes. Sistema respiratório de réptil é extremamente sensível.

Sempre uso luvas. Répteis saudáveis podem carregar Salmonella sem sintoma nenhum. Já aprendi isso da pior forma — uma intoxicação leve que resolveu em 48 horas mas foi desagradável o suficiente para nunca mais esquecer.


9. Legalidade: A Parte Chata que Pode Custar R$ 5.000

Eu costumava pensar que ninguém fiscalizaria um gecko no apartamento.

Até que a iguana da minha amiga Camila foi apreendida.

O vizinho denunciou. O IBAMA foi. Ela não tinha documentação nenhuma. Multa de R$ 5.000, iguana apreendida, processo administrativo. A Camila tinha criado a iguana por três anos. Nunca mais a viu.

Desde então, aprendi: sempre compre de criadouro legalizado, com nota fiscal e certificado de origem.

O que você precisa para manter pets exóticos legalmente no Brasil:

Nota fiscal: emitida pelo criadouro ou pet shop com CNPJ válido e descrição da espécie.

Certificado de origem: comprova que o animal veio de criadouro registrado no IBAMA. Tem número de registro do criador.

Anilha ou microchip: identificação física do animal. Dragão-barbudo leva microchip. Aves levam anilha na pata.

Antes de comprar qualquer pet exótico, peça o número de registro IBAMA do criadouro e confirme no sistema CTF (Cadastro Técnico Federal) no site do IBAMA. Criadouro que não tem número não é legalizado. Não compre.

As penalidades para posse ilegal, de acordo com a Lei 9.605/98: multa de R$ 500 a R$ 5.000 por animal, detenção de 6 meses a 1 ano, apreensão imediata. Comprar legal custa praticamente o mesmo e você dorme tranquilo.


10. As Doenças Que Enfrentei — e o Que Aprendi com Cada Uma

Cinco anos de pets exóticos cuidados me deram um histórico veterinário generoso. Compartilho aqui para você reconhecer os sinais antes que virem emergência.

Doença Óssea Metabólica (MBD) — o susto que mudou tudo

Tremores leves nas patas traseiras do Spyke. Mandíbula estranha. Menos apetite. Causa: falta de UVB adequada e suplementação incorreta. Tratamento: R$ 650. Sequela: leve curvatura na coluna que ficou para sempre. Lição: UVB não é opcional.

Impactação intestinal — o substrato errado

Cinco dias sem defecar. Barriga inchada. Causa: areia como substrato. Tratamento: banhos mornos, massagem abdominal, óleo mineral. R$ 180 e uma semana de susto. Lição: tapete de réptil para sempre.

Infecção respiratória — o terrário fechado demais

Respiração com boca aberta, sons de chio, muco nasal. Causa: umidade alta e falta de ventilação. Tratamento: antibiótico por 10 dias, R$ 280. Lição: ventilação é tão importante quanto temperatura.

Desidratação — quando confiei demais em alguém

Deixei o Spyke com um amigo por três dias. Pote de água virou. Quando voltei: animal apático, pele enrugada, olhos fundos. Tratamento: banhos de imersão, vegetais aquosos, recuperação em 24h. Lição: instruções detalhadas e pote de cerâmica que não vira.

Ácaros — o substrato sem procedência

Pontinhos vermelhos no Spyke. Causa provável: substrato comprado de marca desconhecida. Tratamento: quarentena, desinfecção completa, R$ 400. Lição: substrato de marca confiável, sempre.

Sinais que sempre pedem veterinário imediato:

Apatia extrema por mais de dois dias. Recusa total de alimento por mais de uma semana. Tremores ou convulsões. Respiração com boca aberta. Inchaços anormais em qualquer parte do corpo. Fezes com sangue ou muco. Não defecar por sete dias ou mais.

Tenha o número do seu veterinário de exóticos salvo. Emergências com répteis pioram rápido. Muito rápido.


Conclusão: Teria Feito Tudo de Novo?

Quando olho para 2020 — aquela garota animada que não sabia o que era gradiente térmico e comprou gecko em dois dias de pesquisa — fico feliz que o instinto valeu mais do que o planejamento.

Mas fico mais feliz ainda pela Renata, que me segurou pelo braço. Pelo veterinário que atendeu às 3h da manhã quando o Spyke estava ofegante. Pela comunidade de tutores de pets exóticos que respondeu perguntas constrangedoras sem julgamento.

Criaria tudo de novo? Sem hesitar.

Mas começaria diferente. Com um veterinário já cadastrado antes de ter o animal. Com orçamento real calculado antes de comprar qualquer coisa. Com o terrário do tamanho adulto desde o primeiro dia.

Se você chegou até aqui — parabéns pela seriedade. Significa que você está começando melhor do que eu comecei. E isso já é metade do caminho.

Os outros pets exóticos esperam por tutores assim.


⚠️ Não sou veterinária. Sou tutora dedicada que estuda muito, erra às vezes e adora compartilhar o que aprende. Para questões de saúde do seu pet exótico, sempre consulte um médico veterinário especializado em animais exóticos.


Sobre a Autora

Mariana Silva — Tutora Apaixonada por Pets Exóticos | Hephiro Pets 🦎

Oi! Eu sou a Mariana, 32 anos, Goiânia-GO. Cinco anos de répteis — Spyke (dragão-barbudo, 4 anos), Luna e Sol (geckos-leopardo) e Jade (jabuti piranga resgatada em 2022, que provavelmente vai me sobreviver).

Criei o Hephiro Pets para ser o blog que eu queria ter encontrado em 2020 — honesto, com custos reais, erros reais e zero romantização.

Se você também já abriu 50 grilos na cozinha por acidente, me manda mensagem. Precisamos nos reunir.


Vamos nos conectar? 💚


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Última atualização: Fevereiro de 2026

Este artigo foi escrito com base em cinco anos de experiência real criando pets exóticos. Consulte sempre profissionais especializados para decisões de saúde e bem-estar animal.

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