Por Mariana Silva | Hephiro Pets | Fevereiro de 2026
Em 2020, achei que cuidados com pets eram simples. Dá comida, troca a água, dá carinho. Pronto.
Então o Spyke ficou estressado, parou de comer e me fez ligar para o veterinário às 22h num domingo. A resposta chegou com aquela calmaria de quem já ouviu isso cem vezes: “Mariana, você não tem rotina. Répteis precisam de previsibilidade para funcionar.”
Não era doença. Era ausência de estrutura.
Esse foi o primeiro de uma série de sustos que me ensinaram que cuidados com pets não é improviso — é sistema. Rotina previsível, higiene consistente, prevenção antes que vire tratamento. E, principalmente, entender que cada espécie tem necessidades tão específicas que o que salva um animal pode prejudicar outro.
Hoje cuido do Spyke (dragão-barbudo, 4 anos), de Luna e Sol (geckos-leopardo) e da Jade (jabuti piranga resgatada em 2022). Três espécies completamente diferentes, três rotinas distintas, e um aprendizado acumulado que custou tempo, dinheiro e alguns sustos de madrugada.
Esse guia é sobre tudo que aprendi — incluindo os erros que não precisam se repetir na sua casa.
1. Rotina: O Pilar dos Cuidados com Pets que Mais Ignorei.
Confesso: fui péssima com rotina no começo.
Alimentava o Spyke em horários diferentes todo dia. Às 9h numa segunda, ao meio-dia na terça, às 17h quando me lembrava na quarta. Achava que não fazia diferença para um réptil.
Fazia. Muito.
Ele ficou agitado, recusava comida, ficava tentando escalar o vidro do terrário repetidamente — o que os tutores de répteis chamam de glass surfing, um dos sinais mais claros de estresse crônico. Levei no veterinário achando que era doença.
“Répteis são animais de hábitos”, o veterinário disse. “Quando a rotina não é previsível, o sistema nervoso deles não descansa.”
Não são só os répteis. Cães, gatos, aves — todos se beneficiam de rotina por motivos similares: o cérebro do animal aprende a antecipar o que vai acontecer. Isso reduz a ansiedade, melhora a digestão, regulariza o ciclo de sono e produz um animal visivelmente mais tranquilo.
Quando estruturei uma rotina fixa para o Spyke, a mudança foi visível em menos de uma semana. Ele parou com o glass surfing. Voltou a comer com apetite. A cor voltou mais viva.
Os elementos que coloquei em todas as minhas rotinas:
Horários fixos de alimentação — mesmos horários, diariamente. Sem variação maior que 30 minutos. Para os geckos, isso significa respeitar o ciclo noturno e não oferecer comida de manhã, quando eles estão no momento de descanso.
Limpeza em dias e horários definidos — não quando “parece sujo”. Diariamente para manutenção mínima, semanalmente para limpeza mais completa. Esse hábito me custou R$ 450 aprender da forma errada quando o Spyke teve infestação de ácaros por falta de consistência.
Tempo de interação no mesmo período do dia — o Spyke espera pela sessão de sol no final da tarde. A Jade espera ser regada com as plantas do quintal de manhã. Eles aprendem. E esperam.

“Essa tigela de vegetais frescos, o pote de cálcio e o termômetro digital são os três itens que aparecem toda manhã na minha bancada. Rotina é isso. 🥬” –>
2. Higiene: O Cuidado com Pets Que Mais Negligenciei
Vou ser direta: higiene foi minha maior falha nos primeiros meses.
Com o Spyke, eu limpava o terrário “quando achava que estava sujo”. Sem frequência, sem método, sem registro. Funciona até a primeira infestação de ácaros — que foi exatamente o que aconteceu.
Pontinhos vermelhos no Spyke, pontinhos nadando no pote de água. Quarentena, desinfecção completa de tudo, R$ 400 gastos e semanas de trabalho extra. Tudo evitável com limpeza consistente.
Para répteis, o que funciona:
Diariamente, 5 minutos: remover fezes com pazinha própria, tirar restos de comida não consumidos, verificar e limpar o pote de água.
Semanalmente, 30 a 40 minutos: retirar todos os itens do terrário, lavar com detergente neutro, enxaguar exaustivamente — resíduo de produto químico em superfície que réptil fica é problema sério — e deixar secar completamente antes de remontar.
Mensalmente, limpeza completa com vinagre branco diluído 1:10 ou desinfetante F10. Substrato 100% trocado. Decoração esterilizada no forno a 180 °C por uma hora.
O que nunca entra no processo: amônia, Lysoform, água sanitária pura, perfumes. Répteis têm sistema respiratório sensível. Esses produtos podem matar.
Para cães e gatos (o que aprendi com amigos e família):
Banho a cada 15 a 30 dias para cães de pelo curto, 7 a 15 dias para pelo longo. Com xampu específico para pets — nunca o seu, o pH é diferente e causa dermatite. Secagem completa depois, porque umidade retida vira fungos.
A higiene bucal é a mais negligenciada. A cachorra da minha mãe nunca teve escovação regular. Com 8 anos, precisou de limpeza profunda sob anestesia — R$ 800 e ainda perdeu três dentes. Tudo evitável com escovação três vezes por semana e petiscos dentais. O veterinário vai agradecer. O animal também.
3. Saúde Preventiva: Onde Aprendi Que Barato Sai Caro
Essa foi a lição mais cara da minha jornada com cuidados com pets.
Quando o Spyke desenvolveu MBD — doença óssea metabólica por falta de UVB adequada — gastei R$ 650 em tratamento. Três sessões de injeção de cálcio, suplementação intensiva por dois meses, reposicionamento de equipamento. O animal ficou com sequela permanente: uma leve curvatura na coluna.
A lâmpada UVB correta custava R$ 180.
A diferença entre prevenção e tratamento é raramente de proporção — é de escala. E, invariavelmente, o tratamento fica muito mais caro.
O que estruturei como prevenção nos meus cuidados com pets:
Check-up veterinário anual para todos. Para o Spyke, isso significa exame físico completo, verificação de peso e conversa sobre comportamento com o Dr. Roberto — veterinário de exóticos aqui em Goiânia que tenho no celular salvo para emergências. Para animais acima de 7 anos, o check-up deve ser semestral.
| Cuidado preventivo | Frequência | Custo médio |
|---|---|---|
| Consulta veterinária (exóticos) | Anual | R$ 200–300 |
| Consulta veterinária (cães/gatos) | Anual | R$ 150–250 |
| Vacinação (cães) | Anual | R$ 80–150/vacina |
| Vacinação (gatos) | Anual | R$ 80–120/vacina |
| Vermifugação | A cada 3-6 meses | R$ 20–50 |
| Antipulgas/anticarrapatos | Mensal | R$ 40–80 |
| Lâmpada UVB (répteis) | A cada 6 meses | R$ 150–180 |
Esses valores são de 2026, variam por cidade e clínica. Mas a lógica não muda: some tudo isso ao ano e compare com o custo de um único tratamento de emergência que poderia ter sido evitado.
Sinais que sempre me fazem ligar para o veterinário:
Falta de apetite por mais de 48 horas sem causa ambiental óbvia. Apatia que não melhora em dois dias. Vômitos repetidos. Tremores. Respiração com boca aberta ou com esforço visível. Mudança brusca de comportamento sem nenhuma mudança de rotina que explique.
Minha regra: na dúvida, ligo. É melhor ouvir “não é nada” do que esperar e perder a janela de tratamento precoce.
4. Alimentação como parte dos cuidados com pets.
Não existem cuidados com pets de qualidade sem alimentação correta — e errei nisso por meses com o Spyke.
Por muito tempo, ofereci só grilos. Parecia suficiente. Não era.
Dragão-barbudo adulto precisa de 80% vegetais e 20% insetos. Eu estava dando quase o contrário. E, além da proporção errada, os grilos que eu oferecia eram “vazios” nutricionalmente porque eu não fazia gut-loading — a prática de alimentar os insetos 24h antes para que eles cheguem ao réptil com nutrientes de verdade dentro.
Após corrigir esses dois pontos — proporção e gut-loading —, o brilho do pelo do Spyke melhorou, a atividade aumentou e o veterinário comentou na consulta seguinte que ele estava visivelmente mais saudável.
A alimentação impacta tudo: imunidade, disposição, qualidade da pele e pelo, digestão, e até comportamento. Não é exagero dizer que a tigela de comida é onde começa boa parte da saúde do animal.
Falo em detalhes sobre alimentação de gatos no post ‘Alimentação Ideal Gatos’ — que também serve de base para entender os princípios de nutrição felina que se aplicam a qualquer tutor.
Regras que sigo para todos os meus pets:
Água limpa sempre disponível, trocada duas vezes ao dia. Alimento de qualidade verificável — para répteis, proteína de origem animal identificada; para cães e gatos, ração com primeiro ingrediente sendo proteína animal nomeada. Sem alimentos proibidos: chocolate, cebola, alho, uva, abacate — esses aparecem em qualquer espécie como toxinas reais.
E horários consistentes. Porque, como aprendi no início, imprevisibilidade na alimentação é estresse acumulado que vira problema comportamental ou de saúde antes que você perceba.

“A salada do Spyke de toda manhã: couve, abóbora, cenoura. Mais o cálcio sem D3 cinco vezes por semana. Simples assim — e é o que mantém os ossos dele saudáveis. 🥦” –>
5. Bem-Estar: O Que Ninguém Me Falou Sobre Cuidados com Pets
Por dois anos, achei que estava fazendo tudo certo com o Spyke. Terrário na temperatura certa, alimentação em dia, limpeza em ordem.
Mas, em 2022, uma bióloga especialista em comportamento animal foi à minha casa para avaliar o setup. Olhou para o terrário por dois minutos e disse: “Mariana, seu terrário está tecnicamente correto e completamente sem estímulos.”
Aquilo doeu. E era verdade.
Enriquecimento ambiental é a diferença entre um animal que sobrevive e um que vive. É criar um espaço que permite que o animal se comporte como a espécie dele se comporta naturalmente — que explore, caça, escava, escala, descansa em lugares escolhidos por ele.
Depois da visita da bióloga, reformulei o terrário do Spyke. Adicionei troncos em alturas diferentes para escalar. Passei a esconder grilos em pontos variados em vez de jogar no pote — instinto de caça ativado. Mudei a decoração a cada dois meses para criar novidade. Aumentei o tempo de interação fora do terrário com supervisão.
Em três semanas, ele estava notavelmente mais ativo. Ficava explorando o terrário. Comia com mais entusiasmo.
Enriquecimento ambiental custa quase nada — alguns galhos naturais, pedras reposicionadas, um esconderijo novo feito de vaso de cerâmica cortado ao meio. O que custa é tempo e atenção para observar o que o animal responde.
Falo sobre isso em detalhes no Guia Definitivo de Comportamento Animal, que complementa perfeitamente esse post.
O que aplico para cada um dos meus três:
Com o Spyke: rotação de decoração mensal, grilos escondidos para estimular a caça, tempo de exploração supervisionada fora do terrário, banho de sol natural duas vezes por semana.
Com Luna e Sol: múltiplos esconderijos em temperaturas diferentes, hide box úmida essencial para troca de pele, interações apenas no período noturno quando eles estão naturalmente ativos.
Com a Jade: substrato fundo para escavar, área de sol e sombra com transição livre, troncos baixos para explorar, autonomia — sem pegar no colo o tempo todo.
6. Cuidados com Pets ao Longo da Vida: O Que Muda em Cada Fase
Cuidados com pets não são iguais do filhote ao idoso. Aprendi isso na prática quando o comportamento e as necessidades do Spyke foram mudando conforme ele crescia.
| Fase | Cuidado diferencial | Frequência de check-up |
|---|---|---|
| Filhote (0-12 meses) | Mais proteína, crescimento acelerado, terrário menor temporariamente. | A cada 3 meses |
| Adulto jovem (1-5 anos) | Manutenção, suplementação regular, comportamento reprodutivo sazonal. | Anual |
| Adulto maduro (5-10 anos) | Monitoramento de peso, articulações, possível redução calórica | Anual a semestral |
| Sênior (acima de 10 anos) | Check-up mais frequente, exames de sangue, alimentação adaptada | Semestral |
Para répteis, a fase reprodutiva merece atenção especial. Em 2023, o Spyke ficou mais agressivo e territorialista por algumas semanas — o que parecia problema comportamental era resposta hormonal sazonal completamente normal. Sem saber disso, poderia ter interpretado errado e tomado medida equivocada.
Cada fase pede adaptação. O que funcionava para o Spyke filhote de 2020 não é o que funciona para o dragão-barbudo adulto de 2026.

“Levo o Spyke ao Dr. Roberto uma vez por ano, com a mesma seriedade que vou à minha consulta anual. Prevenção não é custo extra — é parte do orçamento fixo. 🩺” –>
Conclusão: Cuidados com Pets São Sistema, Não Improviso
Quando olho para 2020 — aquela garota que achava que era só dar comida e água — fico feliz por cada susto que me obrigou a estudar mais.
O Spyke parado, sem comer, me olhando do fundo do terrário naquele domingo de 2020 não era problema — era recado. “Você não tem rotina. Eu preciso de previsibilidade para me sentir seguro.”
Quando aprendi a ouvir, tudo mudou.
Cuidados com pets de verdade são: rotina que o animal pode antecipar, higiene que previne antes de precisar tratar, alimentação que nutre de verdade, prevenção veterinária antes que vire emergência, e enriquecimento que permite que o animal viva — não só sobreviva.
Custa mais atenção do que dinheiro. Custa consistência mais do que qualquer equipamento caro.
E o retorno? Você não vai mais ligar para o veterinário às 22h no domingo. Pelo menos não com frequência.
⚠️ Não sou veterinária. Sou tutora dedicada que estuda muito e adora compartilhar o que aprende. Para questões de saúde e diagnósticos, consulte sempre um médico veterinário especializado.
Sobre a Autora
Mariana Silva — Tutora apaixonada por pets | Hephiro Pets 🦎
Oi! Eu sou a Mariana, 32 anos, Goiânia-GO. Cinco anos de cuidados com répteis — Spyke (dragão-barbudo, 4 anos), Luna e Sol (geckos-leopardo) e Jade (jabuti piranga resgatada em 2022).
Criei o Hephiro Pets para ser o blog que eu queria ter lido quando comecei. Honesto, com custos reais, erros reais e zero romantização. Se a sua rotina ainda é improviso, você está no lugar certo.
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Última atualização: Fevereiro de 2026
Este artigo foi escrito com base em cinco anos de experiência real. Consulte sempre profissionais especializados para decisões sobre saúde e bem-estar do seu pet.