Por Mariana Silva | Hephiro Pets | Fevereiro 2026
Primeiros socorros para pets foi o assunto que eu mais quis ter estudado antes de precisar.
Era uma quinta-feira de março de 2023. Jade — minha jabuti-piranga, a mais tranquila das minhas quatro — estava se movendo estranhamente no terrário. Claudicando. Inclinando para um lado. Olhos semicerrados num horário que ela normalmente estaria ativa.
Entrei em pânico total. Liguei para a Dra. Fernanda, minha veterinária de répteis aqui em Goiânia, que me fez quatro perguntas rápidas — temperatura do terrário, última vez que comeu, se tinha alguma ferida visível, se estava respirando — e me deu instruções claras para os 40 minutos até eu chegar no consultório.
Jade ficou bem. Era uma questão de temperatura — o tapete de aquecimento tinha desregulado e ela estava com hipotermia leve. Mas, naqueles 40 minutos, eu precisava saber o que fazer e o que não fazer. Por isso, saí daquela consulta determinada a aprender primeiros socorros para pets de verdade.
Este guia é o resultado. Nele estão as situações mais comuns de emergência — para cães, gatos e répteis — e o que fazer em cada uma antes de chegar ao veterinário.
O Que Você Vai Encontrar Neste Guia
- Por que primeiros socorros para pets não substituem o veterinário — mas salvam vidas
- Kit de emergência: o que ter em casa
- Engasgo: como agir nos primeiros minutos
- Envenenamento: os sinais e o que nunca fazer
- Convulsão: o protocolo correto
- Cortes e feridas: controle do sangramento
- Primeiros socorros para pets répteis: o que é diferente
- Quando ir imediatamente — sem tentar resolver em casa
1. Primeiros Socorros para Pets Não São Medicina Veterinária.
O que você pode e O Que Não Pode Fazer
Antes de qualquer coisa, é importante entender o limite. Primeiros socorros para pets são as ações que você toma nos minutos iniciais de uma emergência — estabilizar, conter, monitorar e transportar com segurança. Além disso, o objetivo é chegar ao veterinário com o animal nas melhores condições possíveis, não resolver o problema em casa.
Por isso, conhecer esse limite é parte do protocolo. Tutor que tenta tratar sozinho o que precisa de intervenção profissional piora frequentemente o quadro — e atrasa o atendimento que realmente importa.
Contudo, a diferença entre agir corretamente e não agir pode ser crítica em situações como engasgo, envenenamento e choque. Dessa forma, saber o que fazer — e o que não fazer — é o que esses primeiros socorros para pets ensinam.
Monte o número do veterinário antes da Emergência
Essa é a dica número zero. Antes de qualquer kit, antes de qualquer protocolo — salve no celular o número da clínica veterinária mais próxima, o número de emergência 24h da sua cidade e o número direto do veterinário que acompanha seu pet.
Além disso, pesquise agora qual é a clínica veterinária 24h mais próxima da sua casa. Não em momento de pânico — agora, com calma.

“Kit montado, numerado no celular, localização da clínica 24h anotada. Essa preparação custa menos de R$ 80 e pode fazer diferença real numa emergência. 🧰” –>
2. Kit de Primeiros Socorros para Pets: O Que Ter em Casa
Itens Básicos — Custo Aproximado: R$ 70 a R$ 100
Montar o kit antes de precisar é parte do protocolo. Além disso, guardar tudo num só lugar acessível — não distribuído em gavetas diferentes — é o que permite agir rápido quando o tempo importa.
| Item | Função | Custo médio |
|---|---|---|
| Gaze estéril (10 unidades) | Curativo e contenção de sangramento | R$ 8 |
| Atadura elástica | Fixação de curativo | R$ 6 |
| Fita micropore | Fixação sem cortar pelo | R$ 5 |
| Luvas descartáveis (par) | Proteção e higiene | R$ 4 |
| Soro fisiológico 0,9% (250ml) | Limpeza de feridas e olhos | R$ 8 |
| Tesoura de ponta romba | Corte seguro perto da pele. | R$ 15 |
| Termômetro digital | Verificação de temperatura | R$ 25 |
| Pinça | Retirada de espinhos e corpos estranhos visíveis. | R$ 10 |
| Seringa sem agulha (10ml) | Administração de líquidos quando indicado. | R$ 4 |
| Lanterna pequena | Exame de boca, ouvidos, patas. | R$ 12 |
Por outro lado, o que não colocar no kit também importa: remédios humanos, anti-inflamatórios e analgésicos sem prescrição veterinária podem ser letais para animais. Assim, o kit de primeiros socorros para pets não inclui medicamentos — a menos que o veterinário tenha prescrito algo específico para o seu animal.
3. Engasgo em Pets: O Protocolo dos Primeiros Minutos
Como identificar o Engasgo
Engasgo é uma das emergências mais assustadoras — e uma das que mais exige calma do tutor. O animal que engasgou geralmente apresenta: tosse intensa e repetida, movimentos de deglutição exagerados, patadas na boca, salivação excessiva e dificuldade visível para respirar.
Por isso, a primeira ação é observar por 30 segundos antes de intervir. Muitas vezes, o animal consegue resolver sozinho com a tosse — e a intervenção do tutor nesses casos atrapalha mais do que ajuda.
Quando e Como Intervir
Caso o animal não consiga resolver em 30 a 60 segundos, aí sim é hora de agir. Para cães de porte médio a grande, a manobra de Heimlich animal funciona assim:
Posicione o cão de pé ou sentado. Envolva a cintura do animal com os braços, juntando as mãos abaixo do esterno. Em seguida, aplique pressões firmes e rápidas para cima e para dentro — cinco vezes. Além disso, verifique a boca após cada série de compressões para ver se o objeto ficou acessível.
Contudo, não tente retirar o objeto às cegas com os dedos — empurrar mais fundo é o risco real. Para gatos e cães pequenos, a manobra é diferente e o risco de lesão é maior — segure o animal com a cabeça levemente inclinada para baixo e aplique tapinhas firmes entre as escápulas.
Independentemente do resultado, leve ao veterinário após qualquer episódio de engasgo. Microlesões na garganta não são visíveis externamente.
4. Envenenamento em Pets: O Que Nunca Fazer
Sinais de Envenenamento
Primeiros socorros para pets em casos de envenenamento são, paradoxalmente, sobre não fazer muita coisa. Os sinais variam conforme o agente — mas os mais comuns incluem: vômito e diarreia súbitos, salivação excessiva, tremores musculares, pupilas dilatadas, letargia extrema ou agitação intensa.
Por isso, se você suspeita de envenenamento, a primeira ação é ligar para o veterinário imediatamente — antes de qualquer outra coisa.
O que não fazer em Hipótese Alguma
Nunca induza vômito por conta própria. Além disso, nunca ofereça leite, água com sal ou qualquer outro “remédio caseiro” sem instrução veterinária. Dependendo do agente tóxico, induzir vômito pode causar queimaduras no esôfago no trajeto inverso.
Contudo, se o animal já vomitou espontaneamente, guarde uma amostra para o veterinário — em saco plástico fechado. Da mesma forma, se souber o que o animal ingeriu, leve a embalagem ou anote o nome completo do produto.
Além disso, tempo é o fator mais crítico no envenenamento. Dessa forma, não tente tratar — vá direto ao veterinário ou à clínica 24h mais próxima.

“Animal envolvido, aquecido, cabeça estável. Transporte correto é parte dos primeiros socorros — uma virada brusca pode piorar um quadro que estava controlado. 🚗” –>
5. Convulsão em Pets: O Protocolo Correto
Durante a Convulsão
Convulsão em pet é uma das situações que mais geram reação errada nos tutores. Por isso, o protocolo correto vai contra o instinto.
Não segure o animal. Além disso, não coloque os dedos na boca dele — ao contrário do que se acreditava, animais não engolam a língua durante convulsão, mas podem morder com força involuntária. Não tente acordar, não grite o nome, não ilumine os olhos com lanterna.
O que fazer: afaste objetos ao redor para evitar que o animal se machuque. Em seguida, cubra o chão com uma manta macia. Além disso, apague ou reduza a luz do ambiente — estímulos visuais intensos podem prolongar o episódio.
Depois da Convulsão
Anote o horário de início e a duração — o veterinário vai perguntar. Além disso, filme se possível — não para postar, mas para mostrar ao veterinário. Após o episódio, o animal fica geralmente confuso, desorientado e assustado por alguns minutos.
Por isso, mantenha a voz calma e o ambiente tranquilo. Não ofereça comida ou água imediatamente. Convulsão única com duração abaixo de 2 minutos em animal sem histórico: vá ao veterinário com calma. Convulsão acima de 3 minutos ou convulsões repetidas em sequência: emergência — vá imediatamente.
6. Primeiros Socorros para Pets Répteis: O Que É Diferente
A especificidade dos Animais Ectotérmicos
Répteis apresentam emergências que exigem abordagem diferente da de cães e gatos. Por isso, quem tem dragão-barbudo, gecko ou jabuti precisa de protocolos específicos.
Hipotermia é a emergência mais comum em répteis — e foi o que aconteceu com minha Jade. O animal fica letárgico, não responde a estímulos normais, com movimentos descoordenados. Além disso, a causa mais frequente é falha de equipamento de aquecimento.
O que fazer: mova o animal para ambiente morno — não quente, morno. Uma caixa pequena com uma fonte de calor indireta (lâmpada a distância segura) enquanto você contata o veterinário. Contudo, nunca coloque o animal diretamente em água quente ou próximo demais à fonte de calor intenso.
Prolapso — quando órgão interno fica exposto externamente — é emergência absoluta. Não tente reposicionar. Mantenha a área úmida com soro fisiológico e vá imediatamente ao veterinário especializado em répteis.
Para entender melhor como a temperatura impacta a saúde dos répteis no dia a dia — e como prevenir as emergências mais comuns —, leia nosso guia de Temperatura Correta em Terrários. Além disso, o Guia Completo de Cuidados com Pets tem uma seção completa sobre saúde preventiva para diferentes espécies.

“Ligou primeiro. Anotou as instruções. Só então saiu. Essa sequência salva animais e economiza pânico. 📞” –>
7. Quando Ir Imediatamente — Sem Tentar Resolver em Casa
Situações de Emergência Absoluta
Alguns sinais indicam que os primeiros socorros para pets já cumpriram seu papel e é hora de ir — sem mais pesquisa, sem mais tentativa em casa.
Vá imediatamente ao veterinário se o animal apresentar qualquer um destes sinais:
Suspeita de ingestão de veneno de rato ou produto de limpeza.
Dificuldade grave para respirar com gengivas azuladas ou pálidas.
Abdômen distendido e rígido com sinais de dor.
Trauma por atropelamento ou queda de altura — mesmo sem sangramento visível
Sangramento que não cede em 5 minutos de pressão direta.
Convulsão acima de 3 minutos ou convulsões repetidas.
Inconsciência ou ausência de resposta a estímulos.
Por outro lado, situações como cortes superficiais, vômito isolado sem outros sinais, ou mancar leve podem ser avaliadas com mais calma — mas ainda merecem consulta veterinária no mesmo dia ou no dia seguinte.
Além disso, confie no seu instinto de tutor. Você conhece o comportamento normal do seu animal. Se algo parece muito errado, provavelmente está.
A Jade Hoje
Ela tem seis anos agora. Continua sendo a mais tranquila do quarteto — come, anda pelo terrário, dorme no cantinho favorito dela.
Naquele março de 2023, os primeiros socorros para pets que eu sabia eram praticamente zero. Por isso, fiquei 40 minutos em pânico com um animal que precisava de calma e temperatura estável.
Hoje sei o que fazer. Além disso, o kit está montado, o número da Dra. Fernanda está salvo com estrela no celular e a localização da clínica 24h está na memória.
Espero que você nunca precise usar nada desse guia. Mas, se precisar — você vai saber o que fazer.
⚠️ Aviso importante: Não sou veterinária. Este guia é baseado em pesquisa, experiência como tutora e orientações recebidas de veterinários. Não substitui avaliação profissional. Em qualquer emergência, contate um veterinário imediatamente.
Sobre a Autora
Mariana Silva mora em Goiânia-GO e é tutora do Spyke (dragão-barbudo), Luna e Sol (geckos-leopardo) e Jade (jabuti piranga resgatada). Criou o Hephiro Pets para falar sobre criação responsável de pets com linguagem real — sem textão de manual e sem julgamento.
Pesquiso muito. Erra às vezes. Conta tudo aqui.
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Publicado em fevereiro de 2026 | Hephiro Pets