Por Mariana Silva | Hephiro Pets | Fevereiro 2026
Setembro de 2022. Spyke tinha oito meses.
Acordei numa manhã e ele estava parado no canto frio do terrário. Quieto, olhos meio fechados, sem interesse nenhum na grelhinha de dubia que eu tinha colocado. Spyke come grelhinha com a empolgação de uma criança no McDonald’s — então aquilo era sinal de que algo estava errado.
Medi a temperatura em terrário com o termômetro de mão que eu tinha na época. Zona quente: 36°C. Zona fria: 34°C.
Liguei em pânico pra Dra. Fernanda, veterinária especializada em répteis aqui em Goiânia, que acompanha o Spyke desde filhote. Ela perguntou os números. Ficou em silêncio por dois segundos.
“Mariana, ele está com calor em todo o terrário. Não tem onde se refrescar. Hipertermia leve.”
Eu tinha colocado as duas lâmpadas ligadas ao mesmo tempo durante uma reforma no quarto — e esquecido de checar. Por isso, a temperatura em terrários tinha subido uniformemente, sem gradiente. Para um animal ectotérmico que regula o corpo se movendo entre zonas quentes e frias, era como estar preso num forno sem porta de saída.
Desliguei uma lâmpada, abri o terrário por uma hora com supervisão, ofereci água. Spyke estava bem no dia seguinte. Mas eu aprendi a lição da forma mais cara emocionalmente possível.
Esse guia é o que eu sei agora — depois de três anos, dois répteis e alguns erros sérios.
O Que Você Vai Encontrar Neste Guia
- Por que temperatura em terrários é a variável mais crítica para répteis
- O que é gradiente térmico — e por que sem ele não funciona
- Equipamentos: qual usar, onde posicionar e quanto custa
- Temperatura em terrários por espécie: tabela completa
- Os erros mais comuns — incluindo o meu
- Como monitorar sem termômetro ruim
Por Que a Temperatura em Terrários é Tão Crítica
Répteis Não Produzem Calor Próprio
Isso parece óbvio — mas as consequências práticas surpreendem a maioria dos tutores iniciantes.
Répteis são ectotérmicos. Ou seja: dependem do ambiente externo para regular a temperatura corporal. Por isso, cada função biológica — digestão, sistema imunológico, reprodução, reflexos — depende diretamente da temperatura em terrários a que o animal está exposto.
Um dragão-barbudo que come numa zona fria não consegue digerir o alimento adequadamente. Além disso, sistema imunológico de réptil em temperatura baixa fica suprimido — infecções oportunistas aparecem com mais facilidade. Na prática, errar a temperatura em terrários não é só desconforto para o animal. É risco real de saúde.
O Que é Gradiente Térmico — e Por Que é Inegociável
Gradiente térmico é a variação proposital de temperatura dentro do terrário — uma extremidade quente e uma extremidade fria, com transição entre elas.
No ambiente natural, répteis se movem continuamente entre zonas de calor e sombra para manter a temperatura corporal ideal. Por outro lado, dentro de um terrário sem gradiente, o animal fica preso numa temperatura única — quente demais ou fria demais — sem poder se autorregular.
Dessa forma, temperatura em terrários correta não significa “uma temperatura certa”. Significa uma faixa de temperaturas que permite ao animal escolher onde ficar. Essa distinção muda tudo na montagem do setup.

“Zona quente, zona de transição, zona fria. Sem essa estrutura, o animal não consegue se autorregular. Simples assim. 🌡️” –>
Temperatura em Terrários por Espécie: A Tabela Que Você Precisa Salvar
Cada espécie tem faixas diferentes. Por isso, esses dados precisam vir antes de qualquer compra de equipamento.
Comparativo Rápido: Temperatura por Espécie
| Espécie | Zona de Basking | Zona Fria | Temperatura Noturna |
|---|---|---|---|
| Dragão-barbudo | 42°C a 48°C | 24°C a 28°C | 18°C a 22°C |
| Gecko-leopardo | 30°C a 34°C | 24°C a 26°C | 20°C a 24°C |
| Jabuti piranga | 35°C a 40°C | 24°C a 28°C | 18°C a 22°C |
| Camaleão véu | 35°C a 40°C | 22°C a 26°C | 16°C a 20°C |
| Cobra-do-milho | 28°C a 32°C | 22°C a 25°C | 18°C a 22°C |
| Blue tongue skink | 40°C a 45°C | 24°C a 27°C | 18°C a 22°C |
No meu caso: o Spyke precisa de basking entre 42°C e 48°C. Já a Luna e o Sol, meus geckos, não precisam de basking alto — eles usam aquecimento ventral, não lâmpada de calor direta. São setups completamente diferentes, mesmo morando na mesma casa.
Equipamentos para Temperatura em Terrários
Lâmpadas de Basking
São lâmpadas incandescentes simples — não confundir com UVB. A função é criar o ponto quente de basking. Além disso, simulam o sol direto que o animal teria no habitat natural.
Potência adequada depende do tamanho do terrário e da distância da lâmpada ao substrato. Para o terrário do Spyke (120x60x60 cm), uso lâmpada de 75W a 35 cm de distância. Já tentei 100W — ficou quente demais. Por isso, testes com termômetro antes de deixar o animal dentro são obrigatórios.
Custo médio: R$ 15 a R$ 35 por lâmpada. Vida útil: 2 a 4 meses com uso diário.
Tapetes e Pedras de Aquecimento
Aquecimento ventral — de baixo para cima — é o método principal para espécies que não fazem basking intenso, como geckos-leopardo. No entanto, tapetes de aquecimento precisam de termostato. Sem controle de temperatura, podem causar queimaduras no ventre do animal.
O tapete aquece o substrato, que aquece o animal por condução. Por isso, a temperatura do substrato — não do ar — é o que importa monitorar com essas espécies.
Custo médio do tapete: R$ 45 a R$ 90. Termostato básico: R$ 60 a R$ 120.
Termostatos: Por Que São Obrigatórios
Termostato regula a temperatura dos equipamentos de aquecimento automaticamente. Sem ele, uma lâmpada ligada num dia quente de Goiânia pode elevar a temperatura em terrários para níveis letais.
Existem três tipos básicos:
On/off: o mais simples e barato (R$ 60 a R$ 90). Desliga o equipamento quando atinge a temperatura máxima, liga quando cai. Oscilação de 2°C a 4°C.
Dimmer: reduz a potência gradualmente, sem ligar e desligar. Oscilação menor — ideal para lâmpadas de basking. Custo: R$ 120 a R$ 200.
PID: o mais preciso, mantém temperatura com variação mínima. Usado em setups mais exigentes. Custo: R$ 200 a R$ 400+.
Para o Spyke uso dimmer. Para a Luna e o Sol, termostato on/off no tapete. Dessa forma, cada setup tem o controle adequado para a espécie.

“Lâmpada, tapete, termostato, termômetro. Os quatro equipamentos que compõem o controle de temperatura em terrários de qualquer setup básico. 🌡️” –>
Como Monitorar a Temperatura em Terrários Corretamente
Termômetros: O Que Funciona e O Que Não Funciona
Esse foi um dos meus erros de iniciante. Quando montei o terrário do Spyke pela primeira vez, usei termômetro analógico de parede — aquele de plástico com coluna colorida. Era o que tinha em casa.
Problema: termômetro analógico mede temperatura do ar. Por outro lado, réptil de basking precisa da temperatura da superfície onde pousa — e essas temperaturas podem ser muito diferentes.
Por isso, o mínimo para monitorar temperatura em terrários adequadamente são dois equipamentos:
Termômetro digital com sonda: mede temperatura do ar nas duas extremidades (quente e fria). Custo: R$ 25 a R$ 50.
Termômetro infravermelho (pistola): aponta para a superfície e mede a temperatura de contato. Indispensável para confirmar a temperatura real do ponto de basking e do substrato. Custo: R$ 40 a R$ 80.
Além disso, estações meteorológicas digitais com duas sondas permitem monitorar as duas extremidades simultaneamente. Custo: R$ 60 a R$ 120. Vale o investimento se você tem mais de um terrário.
Quando e Quanto Medir
De manhã: antes de ligar os equipamentos — para confirmar que a temperatura noturna ficou dentro da faixa. Além disso, para identificar se o ambiente externo (variação de estação, ar-condicionado) está afetando o terrário.
Após 30 minutos com equipamentos ligados: verificar se a zona de basking atingiu a temperatura correta antes de colocar o animal.
Em dias de calor intenso: remonitorar no meio da tarde. Em Goiânia, dias acima de 38°C no verão afetam a temperatura em terrários mesmo com equipamentos calibrados. Aprendi isso no verão de 2023 — o terrário do Spyke subiu 4°C acima do normal em dois dias seguidos.
Os 5 Erros Mais Comuns de Temperatura em Terrários
Cometi três desses. Conto sem orgulho.
Erro 1 — Terrário sem gradiente térmico
Temperatura uniforme — seja alta ou baixa — impede que o animal se autorregule. Esse foi o erro do episódio do Spyke. Por isso, zona quente e zona fria são estruturais, não opcionais.
Erro 2 — Usar termômetro analógico como único instrumento
Além de impreciso, mede só a temperatura do ar. Não informa nada sobre a superfície de basking nem sobre o substrato. Termômetro infravermelho não é luxo — é o mínimo.
Erro 3 — Equipamento de aquecimento sem termostato
Lâmpada ou tapete ligados direto na tomada, sem controle automático, são risco constante. No entanto, essa é a configuração mais comum em setups de iniciante — porque termostato custa a mais e parece supérfluo. Não é.
Erro 4 — Ignorar a temperatura noturna
A maioria dos tutores calibra a temperatura diurna e esquece da noturna. Por outro lado, queda noturna é biologicamente necessária para muitas espécies. Dragão-barbudo precisa de 18°C a 22°C à noite. Se o aquecimento fica ligado com a mesma potência 24 horas, não tem queda — e o animal fica em estresse metabólico crônico.
Erro 5 — Não recalibrar nas mudanças de estação
Goiânia tem verão de 38°C e inverno de 12°C. Dessa forma, o setup que funciona em julho não funciona em julho do ano seguinte sem ajuste. Estação nova, checagem nova. Sempre.
Para entender como a temperatura em terrários se conecta com a umidade — a outra variável crítica do ambiente — leia nosso guia completo de Umidade Ideal para Répteis. Além disso, se você ainda está montando o setup do zero, o Guia Completo para Montar Terrário de Répteis explica a sequência certa de decisões antes de ligar qualquer equipamento.

“Termômetro infravermelho apontado pro basking antes de soltar o Spyke de manhã. Virou ritual. Leva 30 segundos e evita problema sério. 🌡️” –>
O Spyke Está Bem
Ele completou três anos em dezembro. Gordo, ativo, come dubia com a mesma empolgação de sempre.
Mas aquela manhã de setembro ainda está na minha memória. Por isso, monto checklist de temperatura em terrários toda semana — não porque sou paranóica, mas porque aprendi que réptil não avisa que está mal até estar mal de verdade.
A diferença entre um terrário bem calibrado e um mal calibrado não aparece no animal no dia seguinte. Aparece em três meses, quando o sistema imunológico cede, quando a digestão crônica falha, quando algo que era evitável vira emergência veterinária.
Dessa forma, checagem de temperatura é o hábito mais barato e mais eficiente que existe nessa criação. Trinta segundos por dia. Vale cada um.
⚠️ Aviso importante: Não sou veterinária. Sou tutora do Spyke, da Luna, do Sol e da Jade há anos — e escrevo com base em experiência real e pesquisa constante. Para casos de saúde, comportamento atípico ou montagem de setup específico, consulte sempre um veterinário especializado em répteis.
Sobre a Autora
Mariana Silva mora em Goiânia-GO e é tutora do Spyke (dragão-barbudo), Luna e Sol (geckos-leopardo) e Jade (jabuti piranga resgatada). Criou o Hephiro Pets pra falar sobre criação responsável de pets com linguagem real — sem textão de manual e sem julgamento.
Pesquisa muito. Erra às vezes. Conta tudo aqui.
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Publicado em fevereiro de 2026 | Hephiro Pets